Gestão de Recursos Humanos
Série: três mestres para pensar o mundo e as organizações
Marco Ornellas
05 de Jun de 2026
(Para cego ver: Imagem de um homem de terno, visto de costas, escrevendo ou desenhando em uma parede branca. No centro da composição há um globo terrestre colorido, cercado por vários desenhos de gráficos, setas, moedas, barras, documentos e símbolos financeiros. A imagem transmite ideia de planejamento estratégico, economia global, análise de mercado, negócios internacionais e tomada de decisão baseada em dados.)
Crédito: Imagem: GettyImages | Via Canva
Como Edgar Morin, Humberto Mariotti e Humberto Maturana transformaram minha forma de compreender a realidade, as relações humanas e a vida nas organizações.
Ao longo da minha trajetória profissional e acadêmica, poucas influências foram tão marcantes quanto as obras de Edgar Morin, Humberto Mariotti e Humberto Maturana. Cada um deles me ajudou a enxergar uma dimensão diferente da realidade. Morin ampliou minha forma de pensar ao me apresentar a complexidade. Mariotti mostrou como essa complexidade se manifesta nas organizações e na vida cotidiana. Maturana me ajudou a compreender que tudo isso acontece por meio das relações humanas.
Por que falar desses pensadores agora?
Porque talvez nunca tenhamos precisado tanto deles.
Vivemos um tempo marcado por transformações aceleradas, avanços tecnológicos sem precedentes, polarizações, incertezas, crises de saúde mental, desafios de liderança e organizações que buscam se reinventar em meio a um cenário cada vez mais complexo.
Há também uma razão mais pessoal.
Recentemente, perdemos Humberto Mariotti. Neste mesmo período, lembramos os cinco anos da partida de Humberto Maturana e acompanhamos a despedida de Edgar Morin, morto aos 104 anos. Curiosamente, maio — mês do meu nascimento — tornou-se também um mês de memória e gratidão por esses três pensadores que influenciaram profundamente minha formação humana, acadêmica e profissional.
Esta série é um convite para conhecer três pensadores que continuam profundamente atuais para líderes, profissionais de RH e todos aqueles que buscam construir organizações mais conscientes e humanas.
1/3: Humberto Mariotti e o fim da ilusão do controle
Vivemos uma época curiosa.
Nunca tivemos tanto acesso a informações, tecnologias e ferramentas de gestão. Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil prever cenários, antecipar mudanças ou controlar o rumo dos acontecimentos.
Líderes convivem diariamente com mercados instáveis, transformações tecnológicas aceleradas, novas expectativas das pessoas e problemas que parecem desafiar qualquer solução simples.
Talvez por isso as ideias de Humberto Mariotti sejam tão atuais.
Mariotti foi um dos principais divulgadores do pensamento complexo no Brasil e dedicou sua vida a questionar uma crença profundamente enraizada na gestão tradicional: a ideia de que organizações podem ser controladas da mesma forma que máquinas.
Durante décadas, aprendemos a dividir problemas em partes menores, criar regras, desenhar estruturas e buscar previsibilidade. Isso continua sendo importante, mas não é suficiente, porque organizações são compostas por pessoas, e pessoas não funcionam como engrenagens.
Possuem emoções, interesses, crenças, histórias, medos, expectativas e diferentes formas de interpretar a realidade.
É por isso que muitas transformações organizacionais fracassam.
A estratégia é boa. A estrutura faz sentido. Os processos parecem adequados. Mas algo não acontece. Ou acontece de forma diferente do planejado.
Mariotti nos ajuda a compreender que esse “algo” normalmente está relacionado à complexidade das relações humanas.
Sua obra nos convida a abandonar respostas simplistas para problemas complexos. Talvez essa seja uma das competências mais importantes para líderes e profissionais de RH no século XXI: menos obsessão pelo controle, mais capacidade de compreender contextos, conexões e interdependências.
Para quem deseja conhecer melhor seu pensamento, recomendo especialmente “As Paixões do Ego” e “Desafio da Incerteza”.
No próximo artigo desta série, o foco será Edgar Morin, pensador que inspirou boa parte das reflexões sobre complexidade e influenciou Mariotti e estudiosos em diferentes partes do mundo.
No próximo artigo desta série, o foco será Edgar Morin, pensador que inspirou boa parte das reflexões sobre complexidade e influenciou Mariotti e estudiosos em diferentes partes do mundo.