Gestão de Recursos Humanos

O mito da eficiência: fazer mais não significa fazer melhor

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Marco Ornellas

22 de Apr de 2026
(Para cego ver: Ilustração em tons de azul mostrando gráficos financeiros sobrepostos, com linhas, barras e velas de mercado. No centro, uma seta grande apontando para cima, simbolizando crescimento, emerge de um gráfico tridimensional que sobe em degraus. Ao fundo, há diversos indicadores e curvas ascendentes, reforçando a ideia de alta performance, valorização e avanço econômico ou de resultados.)
Crédito: @gettyimages/Via Canva

A eficiência organizacional virou palavra de ordem em muitas organizações. Diante da pressão por resultados, a resposta parece simples: fazer mais, mais rápido, com menos recursos.

Quando eficiência não vem acompanhada de inteligência sistêmica, ela começa a gerar distorções: cortes que comprometem qualidade, aceleração que aumenta retrabalho, pressão que reduz capacidade de pensar.

Um estudo da McKinsey & Company aponta que muitas iniciativas de produtividade falham em sustentar resultados por ignorarem o funcionamento real das organizações.

Eficiência isolada é um conceito incompleto. Ela precisa estar conectada à clareza de propósito, qualidade de decisão, coerência de processos e sustentabilidade do modelo.

Caso contrário, vira apenas um vetor de pressão.

Um exemplo frequente: empresas que reduzem equipes sem revisar fluxos de trabalho. A princípio, o ganho parece real. Depois, o desgaste se acumula. Ao final, a perda aparece. O problema não é buscar eficiência. É buscá-la sem redesenhar o sistema. Talvez o caminho não seja ser mais eficiente. Mas ser mais coerente e inteligente na forma de operar.

Porque eficiência sem direção é apenas velocidade. E velocidade, sem sentido, apenas antecipa o erro.

Pergunta para você:

Na sua organização, a busca por eficiência está melhorando o sistema… ou aumentando a pressão sobre ele?

Quero te ouvir:

Quais iniciativas de eficiência você já viu dar certo — e quais claramente falharam?

Para aprofundar:

Meu caro leitor, indico aqui uma outra obra importantíssima para ser lida e digerida. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar de Daniel Kahneman. Essa obra revela como nossas decisões são frequentemente influenciadas por vieses e atalhos mentais, especialmente sob pressão — o que ajuda a entender por que muitas iniciativas de eficiência, quando mal conduzidas, acabam gerando erros, retrabalho e perda de qualidade nas organizações.