Novo papel do RH: de processos a estratégia

19 de Dec de 2025

O que mudou para o RH mudar junto?

Por: Marco Ornellas

Durante décadas, o RH foi associado a processos: contratar, treinar, avaliar, demitir. Atividades fundamentais, mas que já não explicam a amplitude do desafio atual. O mundo mudou de velocidade, as relações de trabalho mudaram de natureza e as pessoas mudaram de expectativa. E, diante disso, o RH não pode mais ocupar o lugar de área “de apoio”. Hoje, ele é — e precisa ser — parte central da estratégia e da identidade da organização.

Diversas pesquisas mostram essa virada. Um estudo do Gartner (2023) indica que 70% dos CHROs (executivos de RH) afirmam que a maior barreira da empresa é sua incapacidade de se adaptar. Já o LinkedIn Workplace Report aponta que 89% dos executivos acreditam que habilidades humanas — comunicação, colaboração, pensamento crítico — serão ainda mais importantes do que habilidades técnicas. Quem desenvolve essas capacidades? Quem desenha essas condições? O RH.

Mas esse novo papel não se resume a participar de reuniões estratégicas. É sobre oferecer um olhar que a organização sozinha não produz. É perguntar coisas que ninguém mais pergunta: Por que fazemos assim? Isso faz sentido para onde queremos ir? Quais comportamentos estamos reforçando sem perceber? O sistema está ajudando ou atrapalhando as pessoas a entregarem valor? É ser ponte entre o que a empresa deseja ser e o que a cultura realmente permite ser.

O novo RH é um designer de ecossistemas organizacionais. É quem integra estratégia, estrutura, cultura, saúde, tecnologia e pessoas. É quem identifica tensões, media as conversas difíceis e convida líderes a ampliarem consciência. É quem provoca a organização a aprender — mesmo as centenárias, como mostrou a própria Gerdau ao afirmar recentemente que “uma empresa de 120 anos precisa continuar se reinventando todos os dias”.

No fundo, este artigo inaugura a coluna compartilhando uma convicção: o futuro do trabalho será moldado pelo RH que ousar assumir o protagonismo.


Um RH que não espera ser chamado — chama a conversa.
Que não executa apenas processos — desenha caminhos.
Que não acompanha a transformação — a provoca.

Esse é o RH que inspira, que movimenta e que faz diferença.
E é sobre ele que começamos a falar aqui.

Perguntas ao leitor

  1. Na sua organização, o RH é visto como executor de processos ou como agente de transformação?
  2. Que nova postura o RH poderia assumir já na próxima semana para elevar seu impacto?

Notas adicionais

  1. O RH estratégico olha além de processos: entende contextos, facilita conversas difíceis e ajuda a empresa a se adaptar. Pesquisas do Gartner mostram que organizações com RH atuante na estratégia têm 2,4 vezes mais capacidade de mudança. É sobre ampliar visão e fortalecer a cultura que sustenta resultados.
  2. Assista um vídeo que gravei sobre essa transformação e evolução da Área –  Link