O esgotamento organizacional: quando o sistema começa a falhar
Marco Ornellas
22 de Apr de 2026
(Para cego ver: Pessoa sentada atrás de uma mesa cheia de pilhas altas de papéis e pastas organizadas de forma caótica. Ela segura a cabeça com as duas mãos, com expressão de cansaço e sobrecarga. Ao fundo, uma parede coberta por folhas impressas, gráficos e post-its coloridos espalhados, reforçando a sensação de excesso de informação e desorganização.)
Crédito: @gettyimages/Via Canva
Nem todo esgotamento é visível. Ele não aparece apenas em afastamentos ou diagnósticos. Muitas vezes, se instala de forma silenciosa: na perda de energia, na dificuldade de concentração, na irritação constante — e, principalmente, na normalização disso tudo. Na perda da saúde mental no ambiente de trabalho.
Quando processos são confusos, prioridades mudam constantemente, decisões são lentas e a comunicação é falha, o sistema começa a exigir mais energia das pessoas para compensar suas fragilidades. E essa energia tem limite.
Relatórios da Deloitte já indicam que ambientes mal estruturados aumentam níveis de exaustão e reduzem performance ao longo do tempo. Mas, no dia a dia, isso aparece de forma mais sutil. As pessoas continuam entregando — mas com custo crescente.
E todo sistema que depende de esforço extraordinário para funcionar já está, de alguma forma, em falha.
O esgotamento organizacional não acontece de repente. Ele é construído aos poucos, quando a organização exige mais do que oferece em termos de clareza, estrutura e coerência. Enquanto isso não for revisado, qualquer iniciativa de bem-estar será paliativa.
Pergunta para você:
Sua organização funciona de forma sustentável… ou depende do esforço excessivo das pessoas para se manter?
Quero te ouvir:
Onde você percebe sinais desse esgotamento no dia a dia?
Para aprofundar:
Sugiro para você a leitura do livro Reinventando as Organizações de Frederic Laloux. Essa obra, importante e excepcional (quando eu li fiquei muito impactado) é fundamental porque evidencia que muitos dos problemas de saúde mental nas empresas não são individuais, mas consequência direta de modelos organizacionais ultrapassados que já não sustentam a complexidade do mundo atual.