ESG em silêncio: o papel do RH diante do retorno ao velho normal
Marco Ornellas
10 de Apr de 2026
(Para cego ver: mulher jovem, de cabelos longos e escuros, sentada em uma mesa de escritório clara, sorri enquanto segura uma folha de papel e uma caneta. Ela veste blazer bege sobre roupa escura. Ao fundo, há um painel com a sigla “ESG” em destaque, gráficos coloridos e um mapa-múndi, sugerindo um ambiente corporativo ligado a sustentabilidade. Sobre a mesa, aparecem documentos com gráficos, um notebook, um laptop e um pequeno objeto verde em formato arredondado.)
Crédito: @thecorgi34 via Canva.com
Durante alguns anos, ESG esteve no centro das conversas estratégicas. Conselhos, executivos e relatórios falavam de sustentabilidade, diversidade, impacto social e responsabilidade com o futuro. O discurso ganhou espaço, visibilidade e até certo prestígio. Mas, aos poucos, algo vem mudando — e não de forma explícita. O ESG não desapareceu. Ele está, silenciosamente, saindo da agenda.
Em um contexto de pressão por resultado, instabilidade econômica e metas de curto prazo, muitas empresas começaram a tratar ESG como “algo importante, mas não agora”. O que antes era prioridade virou nota de rodapé. O que era compromisso virou narrativa. Em nome da eficiência, do crescimento rápido e da sobrevivência, vemos o retorno de práticas antigas, decisões apressadas e uma lógica conhecida: primeiro o negócio, depois — se sobrar tempo — as pessoas e o impacto.
Esse movimento revela um risco real: o de normalizarmos o retrocesso como pragmatismo. O chamado “velho normal” volta travestido de realismo, como se cuidar de pessoas, do ambiente e da sociedade fosse um luxo possível apenas em tempos favoráveis. Como se ética, inclusão e sustentabilidade fossem opcionais quando o cenário aperta.
O papel do RH diante do recuo
É aqui que o papel do RH se torna decisivo — e incômodo. Porque, diante desse movimento, o RH precisa escolher como se posiciona. Vai apenas traduzir decisões já tomadas? Vai suavizar discursos duros e comunicar o inevitável? Ou vai exercer seu papel estratégico de confrontar, provocar e ampliar a consciência organizacional?
Confrontar não é ser ingênuo ou romântico. É lembrar que escolhas têm consequências. Preparar o futuro não é insistir em agendas vazias, mas sustentar conversas difíceis sobre riscos humanos, reputacionais e culturais. ESG não é um projeto paralelo — é um indicador da maturidade de gestão. Quando ele sai da pauta, algo maior está sendo deixado de lado.
O RH ocupa uma posição única. Está entre a estratégia e as pessoas. Entre o discurso e a prática. Entre o hoje e o amanhã. Por isso, sua omissão também comunica. Quando o RH se cala, ele valida. Quando apenas executa, ele legitima. Quando “abaixa a cabeça e segue o comando”, ele ajuda a perpetuar modelos que já mostraram seus limites.
Não se trata de heroísmo. Trata-se de responsabilidade. O futuro do trabalho, das organizações e da sociedade não será construído apenas por decisões financeiras. Será moldado por quem teve — ou não teve — coragem de sustentar princípios quando eles deixaram de ser convenientes.
A provocação que fica para nós, profissionais de RH, é direta: