Gestão de Recursos Humanos

Série: três mestres para pensar o mundo e as organizações

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Marco Ornellas

15 de Jun de 2026
Crédito: Imagem por Metamorworks | Via Canva

Ao longo da minha trajetória profissional e acadêmica, poucas influências foram tão marcantes quanto as obras de Edgar Morin, Humberto Mariotti e Humberto Maturana. Cada um deles me ajudou a enxergar uma dimensão diferente da realidade.

Morin me ensinou a compreender a complexidade e ampliou minha forma de pensar.

Mariotti me mostrou como essa complexidade se manifesta nas organizações e na vida cotidiana.

Maturana me ajudou a compreender que tudo isso acontece por meio das relações humanas.

Por que falar de Edgar Morin, Humberto Mariotti e Humberto Maturana agora?

Porque talvez nunca tenhamos precisado tanto deles.

Vivemos um tempo marcado por transformações aceleradas, avanços tecnológicos sem precedentes, polarizações, incertezas, crises de saúde mental, desafios de liderança e organizações que buscam se reinventar em meio a um cenário cada vez mais complexo.

Há também uma razão mais pessoal.

Recentemente, perdemos Humberto Mariotti. Neste mesmo período, lembramos os cinco anos da partida de Humberto Maturana e acompanhamos a despedida de Edgar Morin, aos 104 anos. Curiosamente, maio — mês do meu nascimento — tornou-se também um mês de memória e gratidão por esses três pensadores que influenciaram profundamente minha formação humana, acadêmica e profissional.

Esta série é um convite para conhecer três pensadores que continuam profundamente atuais para líderes, profissionais de RH e todos aqueles que buscam construir organizações mais conscientes e humanas.

2/3 Edgar Morin e a arte de compreender um mundo que não cabe em departamentos

As empresas adoram dividir. Dividem áreas. Dividem funções. Dividem responsabilidades. Dividem indicadores.

Essa lógica ajudou a construir boa parte das organizações modernas. Mas existe um problema. A realidade não funciona dessa maneira.

Os desafios mais importantes enfrentados pelas organizações raramente pertencem a uma única área. Cultura não é responsabilidade exclusiva do RH. Inovação não pertence apenas à tecnologia. Experiência do cliente não depende somente da área comercial. Saúde organizacional não é um tema apenas da liderança.

Tudo está conectado.

Foi exatamente essa percepção que marcou a obra de Edgar Morin.

Um dos mais importantes pensadores do século XX e XXI, Morin dedicou sua vida a mostrar que a fragmentação excessiva do conhecimento nos impede de compreender a realidade em sua totalidade.

Segundo ele, aprendemos muito a separar. Mas pouco a conectar.

Nas organizações, isso aparece diariamente. Áreas que não conversam. Processos que competem entre si. Metas que geram conflitos internos. Decisões que resolvem um problema e criam outros três.

Morin nos lembra que os sistemas humanos são compostos por relações de interdependência. Tudo influencia tudo. Estratégia influencia cultura. Cultura influencia comportamento. Comportamento influencia resultados. Resultados influenciam decisões. E decisões voltam a impactar a cultura.

É um sistema vivo de interações permanentes.

Talvez uma das maiores contribuições de Morin para líderes e profissionais de RH seja justamente esta:

Os problemas mais importantes não exigem respostas mais rápidas. Exigem compreensões mais amplas.

Antes de decidir, precisamos aprender a enxergar.

Antes de agir, precisamos compreender o contexto.

Antes de simplificar, precisamos reconhecer a complexidade.

Para quem deseja iniciar essa jornada, recomendo Introdução ao Pensamento Complexo e Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro.

São obras que ampliam nossa capacidade de compreender organizações, sociedade e a própria vida.

No próximo artigo chegaremos a um pensador que deu um passo além: Humberto Maturana, que nos mostrou que organizações não são apenas sistemas complexos. São sistemas vivos.