Gestão de Recursos Humanos

A crise silenciosa das lideranças

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Marco Ornellas

11 de May de 2026
(Para cego ver: imagem em fundo preto, semelhante a uma lousa. Há várias setas pequenas desenhadas em branco, apontando para a direita, espalhadas pela esquerda e pelo centro. No meio, uma seta grande rosa também aponta para a direita, destacando-se das demais e sugerindo direção, avanço ou liderança.)
Crédito: @marrio31 - Getty Images | Via Canva

Existe uma crise acontecendo dentro das organizações. E ela não aparece nos relatórios. Ela aparece no cansaço acumulado das lideranças, na dificuldade de sustentar decisões e na sensação constante de estar “apagando incêndios”.

Nunca se exigiu tanto de quem lidera e, paradoxalmente, nunca essas pessoas estiveram tão expostas a contextos tão desorganizados.

Liderar hoje envolve muito mais do que entregar resultados. É lidar com ambiguidade, gerir conflitos, sustentar equipes diversas, responder a pressões por performance e, ao mesmo tempo, preservar algum nível de equilíbrio emocional.

Mas a maioria das lideranças foi formada para um outro mundo: mais previsível, mais linear, mais controlável. Quando esses profissionais passam a atuar em ambientes marcados por mudanças rápidas, metas contraditórias, excesso de demandas e pouca clareza sobre prioridades, surge uma ruptura silenciosa.

Promovemos bons técnicos a posições de liderança, mas nem sempre desenvolvemos sua capacidade sistêmica. Ao mesmo tempo, colocamos essas pessoas para operar em estruturas que não favorecem clareza, fluidez ou consistência.

O resultado são líderes que funcionam como amortecedores do sistema. Absorvem ruídos, compensam falhas, traduzem incoerências e tentam manter as equipes em movimento mesmo quando o próprio contexto organizacional dificulta esse trabalho.

Um caso recorrente é o de gestores que passam mais tempo organizando o caos do que liderando pessoas. E, ao fazer isso, vão se afastando do próprio papel.

O problema, portanto, não está restrito ao desenvolvimento individual. Também está no contexto. Não faltam líderes competentes. Faltam sistemas que permitam que eles exerçam a liderança com qualidade e sustentabilidade.

A obra Reinventando as Organizações, de Frederic Laloux, ajuda a compreender como diferentes modelos organizacionais moldam o papel da liderança e por que estruturas ultrapassadas tendem a gerar sobrecarga e perda de sentido no trabalho. Talvez estejamos diante de uma crise de papel, e não apenas de preparo.

Pergunta para você:

As lideranças da sua organização estão realmente liderando ou apenas sustentando um sistema que não funciona?

Quero te ouvir:

Onde você percebe maior desgaste nas lideranças hoje?