Transformação Digital

Inovar é, fundamentalmente, mudar as coisas e transformar realidades

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Michael Cardoso

06 de May de 2026
(Para cego ver: Imagem mostra uma mulher votando em uma urna eletrônica em uma sala com cabine da Justiça Eleitoral, quadro verde e uma bandeira do Brasil ao fundo. Na parede, há um cartaz com a frase “Votar é um direito e um dever”, reforçando o contexto de participação democrática nas eleições.)
Crédito: John Casio/Pexels

Inovar é, fundamentalmente, mudar as coisas e transformar realidades. Em ano eleitoral, o debate público infelizmente tem sido capturado por uma polarização contraproducente, enquanto os desafios reais do país, como infraestrutura, saúde, educação, desenvolvimento tecnológico e transição energética, acabam ficando em segundo plano nas arenas de discussão.

Se o desconforto é o grande propulsor do espírito inovador, o Brasil é um prato cheio. Somos um país imerso em contradições, desigualdades estruturais e enorme complexidade. A oportunidade é singular, pois a “doença e a cura” estão fartamente dispostas diante de nós, mas esbarramos quase sempre no abismo da vontade política.

Pensamento de longo prazo nunca foi bom de voto no Brasil, o que frequentemente favorece o cálculo eleitoral e as soluções cosméticas em detrimento de verdadeiros projetos de Estado. No entanto, a inovação tem um poder transformador único: ela pode reduzir o custo político do enfrentamento de nossos grandes dilemas.

Como aponta a história das nações desenvolvidas, a inovação não é um esforço puramente privado. O Estado tem o papel essencial de atuar como garantidor e tomador de riscos na origem das tecnologias mais corajosas e incipientes.

Se não liderarmos a “implosão” responsável de nossos ativos, modelos e estruturas que não servem mais ao desenvolvimento nacional, seremos atropelados no cenário geopolítico global.

Para tornar a inovação um motor contínuo, três pilares precisam estar no centro da agenda pública:

Coordenação do fomento à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, PD&I:

O Brasil dispõe de diversos agentes fundamentais, como FAPs, Finep, BNDES, além de hubs e startups do setor privado. A falha óbvia, porém, reside na falta de articulação e integração desses esforços. O Estado precisa operar com uma visão sistêmica, estabelecendo um backbone de inovação que alinhe a cadeia pública e privada em torno de objetivos estratégicos comuns. Essa coordenação ajuda a reduzir sobreposições e estimula a tomada de risco.

O uso estratégico do poder de compra do governo:

O setor público é um mercado gigantesco, que movimenta anualmente mais de R$ 1 trilhão. Com ferramentas como o Diálogo Competitivo da Nova Lei de Licitações, modalidade que permite à Administração dialogar com licitantes previamente selecionados para desenvolver soluções capazes de atender a demandas complexas, o governo pode atuar como um grande laboratório de inovação tecnológica. Ao canalizar investimentos públicos em TI para startups e scale-ups nacionais, o Brasil fortalece sua indústria, desenvolve uma inteligência artificial independente e assegura soberania tecnológica diante de ameaças externas e da dependência excessiva das Big Techs.

Retenção de cérebros e atração de talentos:

Enfrentamos há décadas um grave apagão de mão de obra no setor de tecnologia. Precisamos urgentemente formar mais engenheiros, matemáticos e cientistas para gerar um salto competitivo. Contudo, não basta formar: parte relevante dos talentos formados no país é frequentemente absorvida por grandes players multinacionais, em uma competição financeira difícil para empresas nacionais. É imperativo dialogar sobre a modernização das relações de trabalho no Brasil, garantindo flexibilidade, como trabalho remoto, crowdsourcing e autoempreendedorismo, para que as empresas nacionais consigam reter essa nossa massa crítica de conhecimento.

Sejam quem forem os vencedores das próximas disputas eleitorais, a inovação estrutural precisa se tornar uma prioridade suprapartidária e de longo prazo.

A inovação traz ganhos profundos que transbordam para toda a sociedade, gerando crescimento econômico impulsionado pelo conhecimento, mão de obra mais qualificada e um mercado soberano e muito mais forte.